Introdução: As doenças renais crônicas (DRC) representam um problema de saúde global devido à sua alta prevalência e associação com morbidade significativa. A detecção precoce é essencial para prevenir a progressão para estágios avançados e suas complicações. Os biomarcadores têm emergido como ferramentas promissoras para diagnóstico precoce, avaliação prognóstica e monitoramento da resposta terapêutica, superando limitações dos métodos tradicionais como a creatinina sérica e a taxa de filtração glomerular estimada. Objetivo: Analisar o papel dos biomarcadores emergentes na detecção precoce e no prognóstico das doenças renais crônicas, destacando sua aplicabilidade clínica e impacto nos desfechos renais. Métodos: Foi realizada uma revisão integrativa em bases como PubMed, Scopus e Web of Science, incluindo estudos publicados entre 2010 e 2024. Foram utilizados descritores como "biomarcadores", "doenças renais crônicas" e "detecção precoce". Após triagem de 221 artigos, 54 estudos preencheram os critérios de inclusão, incluindo ensaios clínicos, estudos observacionais e revisões sistemáticas. Resultados: Os biomarcadores emergentes, como a cistatina C, NGAL (lipocalina associada à gelatinase de neutrófilos) e KIM-1 (molécula de lesão renal-1), demonstraram maior sensibilidade e especificidade para detecção precoce de lesão renal, especialmente em pacientes com alto risco. Além disso, biomarcadores inflamatórios e fibróticos, como IL-18 e TGF-?, mostraram-se úteis na predição da progressão da DRC. A integração de painéis multimarcadores com algoritmos de inteligência artificial apresentou potencial na estratificação individualizada de risco e no monitoramento de terapias. Embora promissores, o custo elevado e a variabilidade nos pontos de corte limitam a aplicação rotineira desses biomarcadores. Estudos longitudinais são necessários para validar sua utilidade em diferentes populações e contextos clínicos. A combinação de biomarcadores com métodos convencionais pode oferecer maior precisão diagnóstica e melhorar os desfechos renais. Conclusão: Os biomarcadores representam uma ferramenta inovadora para a detecção precoce e avaliação prognóstica das DRC, com potencial para transformar a prática clínica.
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